terça-feira, 7 de abril de 2015

A Inquietante Cidade Japonesa Inquietante Preenchida Com Bonecas

"Não confunda a fantasia com a imaginação: a primeira consome-se em devaneios, a segunda estimula a criatividade nas artes e nas ciências." - Fausto Cercignani

Em Resumo

Os visitantes da cidade japonesa de Nagoro são recebidos por uma estranha visão. Há apenas algumas pessoas que ainda vivem na cidade mas, em resumo, ela está cheia de figuras que trabalham nos campos, pesca e esperam o autocarro. Estas figuras são bonecas em tamanho natural, porém, criadas por um dos poucos moradores restantes da cidade, Ayano Tsukimi. Não é apenas uma questão das bonecas povoarem a cidade, cada uma representa uma pessoa que tenha morrido e cada uma fica num lugar que era especial para eles, enquanto eles estavam lá.

Nota: Os bonecos são semelhantes aos da fotografia acima, não poderia obter os direitos de imagens dos bonecos reais.

A História Completa

A cidade japonesa de Nagoro é moribunda. Nunca foi uma metrópole movimentada, no entanto, não foi há muito tempo que era a casa de uma fábrica, trabalhadores e famílias capazes de ganhar a vida cercados pela bela paisagem de tirar o fôlego japonês. Mas a fábrica fechou e as pessoas começaram a morrer.

Ayano Tsukimi mudou-se de volta para a cidade depois de passar algum tempo em Osaka. Quando voltou, a cidade já estava num estado triste. Ela disse que não tem muito o que fazer, então começou a tentar plantar um jardim. Quando o jardim falhou, fez o seu primeiro espantalho, à imagem do seu falecido pai, na esperança de que a sua imagem falasse sobre as culturas.

O espantalho foi a primeira de muitas, muitas bonecas.

Até ao momento, ela fez mais de 350 das bonecas de espantalhos, tudo na forma e imagem de alguém da cidade que morreu ou se mudou. Ela veste-os, cria uma expressão facial apropriada para quem eles representam e coloca-os em torno da cidade em locais que tiveram um significado especial para cada uma dessas pessoas.

Alguns relaxam nos bancos dos parques, enquanto alguns estão empoleirados em árvores, segurando os rifles com que caçavam. Outros sentados ao lado do rio com as suas galochas e as suas varas de pesca. Os casais estão sentados, segurando as mãos fora das casas onde viviam com as famílias.

Os edifícios da cidade estão agora preenchidos com bonecas também. A escola, encerrada anos, já teve alunos e professores e um dos principais locais onde se viveu, respirou e aprendeu. Hoje, uma boneca senta-se na mesa do professor, na frente de um quadro negro preenchido com a escrita e as lições. Bonecas estãos sentadas na mesa dos alunos, a segurar alguns lápis, alguns com livros abertos na frente deles, alguns com os seus deveres de casa feito até metade. Alguns ficam no corredor, esperando entre as classes, enquanto os principais relógios estão entre os alunos.

Eventualmente, ela viu que não havia interesse nas bonecas. As pessoas vinham e tiravam fotografias delas enquanto estavam sentados nos campos, a tenderen culturas que já não crescem ou a verem os peixes passarem pelos rios.

As bonecas só duram cerca de três anos e Tsukimi já fez uma para ela. Ela não tem medo de morrer, diz ela, e sabe que, se algo lhe acontecer, as probabilidades dela morrer antes de chegar ao hospital mais próximo são muito grandes. Nesse meio tempo, porém, ela tende as suas bonecas.

As bonecas na aldeia são o resultado de uma década de trabalho e Tsukimi diz que vai continuar a fazê-las apesar da reação mista que recebe de quem a vai visitar.

Ela pergunta se vai chegar um dia em que ela sera a única que sobrou, cercada por nada mais do que as bonecas que fez para lembrar as pessoas que andavam pelas ruas.

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