segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Como os Livros de Banda Desenhada Estão a Mudar o Mundo

"Um ilustrador é alguém que tem uma história e a visualiza. Numa história de banda desenhada, o desenho é a história; não a ilustração."- Eddie Campbell

Em Resumo

As histórias de banda desenhada são muito mais do que apenas histórias coloridas sobre super-heróis. Elas realmente têm o poder de mudar o mundo. Seja a lutar contra a violência sexual, a tomar uma posição contra o extremismo ou a ajudar uma criança a chegar a um acordo com uma deficiência, a banda desenhada definitivamente está a tornar o mundo um lugar melhor.

A História Completa

Os filmes e as novelas podem mudar a maneira como vemos o mundo, mas o que dizer sobre as histórias de banda desenhada? Podem as histórias sobre os super-heróis realmente afetar o modo como as pessoas pensam? Bem, a resposta é um enfático "sim". Artistas de todo o mundo utilizam a banda desenhada para influenciar as mudanças da sociedade e das culturas... ou ajudar apenas uma criança ou adolescente.


Em 2012, Anthony Smith, de 4 anos de idade, decidiu que não ia mais usar o seu aparelho auditivo. Isso foi uma má notícia, porque Anthony era surdo do ouvido direito e sofria de perda auditiva no seu ouvido esquerdo. O seu aparelho auditivo (que havia apelidado de "orelha azul") era tudo o que o ligava ao mundo do som.

Anthony estava chateado porque nenhum dos seus super-heróis favoritos usava aparelhos auditivos, por isso, a sua mãe enviou um e-mail para a Marvel Comics, a pedir ajuda. Por incrível que pareça, o pessoal da Marvel respondeu. Não só explicaram que Hawkeye (interpretado por Jeremy Renner no cinema, em Avengers) usava uma prótese auditiva nos anos 80, como criaram um novo herói, especialmente para Anthony.

Marvel enviou a Anthony dois pin-ups de um combatente do crime chamado "Orelha Azul", um vigilante mascarado que usava aparelhos auditivos para ouvir as pessoas que estavam em perigo. Inspirado, Anthony decidiu que o seu aparelho auditivo afinal era muito fixe.

Mas a Marvel levou as coisas ainda mais a sério quando se uniram com o Instituto de Audição Infantil para criar uma história em banda desenhada real onde o Orelha Azul se juntava ao Homem de Ferro "para educar o mundo sobre os deficientes auditivos e também compartilhar um alerta preventivo sobre os perigos do áudio alto."

É uma história doce que mostra o poder da vida real dos super-heróis, mas às vezes, as histórias em banda desenhada são chamadas para abordar temas mais pesados do que a perda de audição. Em 2012, o artista e cineasta Ram Devineni ficou horrorizado quando uma mulher de 23 anos de idade, Delhi, foi morta na Índia e violada por um gangue. Mas quando visitou a cidade para testemunhar os protestos subsequentes, descobriu algo incrivelmente perturbador.

Ao entrevistar um oficial da polícia indiana sobre o ataque, o policial afirmou que "nenhuma boa menina anda sozinha à noite." Devineni também ficou chocado ao encontrar muitas vítimas de violação que foram envergonhadas e ameaçadas para manterem o silêncio por parte da polícia e pelas suas famílias. As vítimas foram, na verdade, acusadas de ter provocado os ataques e os violadores muitas vezes ficaram impunes.

De repente, Devineni percebeu que a violência sexual era apenas um sintoma de uma cultura onde as mulheres são muitas vezes vistas como cidadãos de segunda classe. Na esperança de mudar a forma como os adolescentes indianos viam a violação, o género e a igualdade, Devineni criou Priya Shakti, uma história em banda desenhada sobre uma menina chamada Priya que sonha tornar-se professora. Infelizmente, ela vive numa sociedade misógina onde está proibida de ir à escola e, eventualmente, é expulsa da casa da sua família depois de ser violada.

Priya atende a deusa Hindu Parvati, que dá à jovem uma habilidade mágica para mudar a mente das pessoas. Depois de domar um tigre selvagem, Priya monta-o de volta para a sua aldeia e usa o seu dom para ensinar aos aldeões a respeitar as mulheres, a incentivar a educação e a erguer-se para a justiça, não importando o género. Quando o mundo ouve que alguém está a montar um tigre, fica pasmado, mas este impressionante super-herói indiano não

Ao longo da Jordânia, Suleiman Bakhit está a usar a banda desenhada para lutar contra o extremismo religioso. A sa história de origem começa nos EUA, logo após o 9/11, quando foi espancado por ser árabe. Percebendo que muitas pessoas associam os "árabes" aos "terroristas", Bakhit começou a viajar pelos EUA e a compartilhar a sua história com as crianças, na esperança de dar-lhes uma impressão diferente.

Durante uma das suas palestras, uma menina perguntou se havia uma Barbie árabe. Outras crianças perguntaram se havia um Batman ou um Super-Homem árabe e foi aí que as rodas na cabeça de Bakhit começaram a girar. Ele percebeu que havia uma escassez de heróis árabes na cultura pop e, de acordo com o artista do Oriente Médio, isso era realmente um grande problema.

De acordo com Bakhit, bastantes crianças jordanianas admiram terroristas como Osama bin Laden e Abu Musab al-Zarqawi. Porquê? Bem, as crianças ouvem dizer que eles são combatentes da liberdade, que defendem a sua terra natal contra o mal do Ocidente. Os terroristas apresentam-se como bons rapazes e, uma vez que não existem quaisquer heróis para contrariar as suas reivindicações, as crianças idolatram esses vilões da vida real. "Agora," disse, "todos os governos estão a dizer "Não sejas um terrorista." Os extremistas dizem: " Sê um herói."

Foi quando Bakhit decidiu voltar a lutar com caneta e papel. Fundou a sua própria companhia e criou várias séries de banda desenhada, como Elemento Zero, uma história que se concentra num operador das Forças Especiais jordaniano que é anunciado como o Jack Bauer do Oriente Médio. Outras bandas desenhadas incluem uma personagem Popeye, mas árabe, e há também uma releitura moderna de As Mil e Uma Noites.

As histórias eram tão populares que venderam mais de 1,2 milhões de cópias. Atualmente, Bakhit está a trabalhar num novo projeto chamado "Fator de Herói." Ele descreve-o como uma "Disney Árabe", que vai fornecer os adolescentes com modelos positivos através de filmes, programas de TV e bandas desenhadas. E, de acordo com Bakhit, já está a começar a ver uma mudança na forma como as crianças jordanianas visualizam estes grupos extremistas.

Evidentemente, os terroristas também os vêm. Em 2008, Bakhit foi atacado por um radical que deixou uma grande cicatriz no seu rosto, ao empunhar uma navalha. Mas, de acordo com Suleiman, isso significa que o seu plano está a funcionar. "Percebi que o ataque significava que estava a fazer a coisa certa", disse ele à NPR. "Dei um pontapé no ninho das vespas."
é a única personagem que está a mudar a maneira como as crianças pensam sobre a sua sociedade.

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