terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

10 Fatos Surpreendentes Sobre a Cultura Iraniana

As leis do Irão acompanham de perto os editais dos rigorosos clérigos muçulmanos que tomaram o país em 1979. No entanto, antes do Xá ser retirado do poder, a cultura iraniana era bastante progressiva e ocidentalizada.

Muitos iranianos que gostavam de liberdades consideráveis antes de 1979, nunca desistiram do seu desejo de cultura ocidental. Para a maioria das pessoas que consideram os iranianos radicais ou completamente devotos, a realidade é realmente muito chocante.

10- Os Iranianos Consomem Uma Enorme Quantidade de Álcool


Apesar de ser existir a proibição oficial do álcool no Irão, 60-80 milhões de litros de bebidas alcoólicas são contrabandeadas para o país, todos os anos. A punição oficial para o consumo de álcool no Irão são 80 chicotadas, uma punição bárbara que milhões de cidadãos arriscam a cada ano apenas para poderem beber. Essas leis draconianas foram colocadas em prática em 1979, quando o xá foi derrubado e Ayatollah Khomeini chegou ao poder.

No Irão, o álcool é uma indústria que fatura cerca de US $ 700 milhões de dólares por ano. Além do álcool contrabandeado, há uma enorme indústria nacional que produz álcool ilegalmente.
Muitos daqueles que bebem no Irão, conduzem embriagados. Em 2012, 26 por cento dos condutores do Teerã estavam bêbados quando lhes foram aministrados testes de álcool durante o período de um mês, desde 20 de abril a 20 de maio.

O número de abusadores de álcool no Irão é impressionante. Segundo a Organização Mundial de Saúde, o número de pessoas que bebem mais de 35 litros (9 gal) de álcool por ano é suficiente para classificar o Irão como o 19º país com maior consumo de álcool no mundo, à frente da Rússia, da Alemanha, da Grã-Bretanha e dos EUA.

O álcool é especialmente popular entre os jovens, que o vêm como uma maneira de escapar às suas vidas altamente restritas. Durante anos, as autoridades iranianas recusaram-se a fazer qualquer coisa acerca do problema com a bebida do seu país e tentou encobri-lo. Como resultado, o problema tornou-se pior, porque muitos alcoólicos não conseguiam encontrar tratamento. Em 2015, porém, o Irão permitiu a abertura de 150 novos centros de tratamento para ajudar a lidar com o problema.

9- Os Meninos Ricos do Teerã


Para aqueles que não conhecem os "meninos ricos do Instagram," é um lugar onde as crianças ricas mostram os seus estilos de vida e a sua ostentação no Instagram. Uma dessas páginas está a chamar a atenção. Chama-se "Os Meninos Ricos do Teerã", que prova que eles podem ter estilos de vida tão extravagantes como os seus homólogos ocidentais. No entanto, ao contrário dos estilos de vida ocidentais, a grande maioria do que é mostrado no Irão é altamente ilegal.

Os "Meninos Ricos do Teerã", até agora escaparam à punição. Nas fotografias, são mostrados a beber champanhe caro e em festas com meninas de biquíni. O álcool e a imodéstia são crimes no Irão. Eles conduzem carros desportivos caros e vivem a vida louca, assim como alguns adolescentes do Ocidente.

Para não serem descobertos, eles usam um filtro nas suas contas do Instagram. É necessária uma VPN para acessá-los. Uma pessoa explicou que, 80 por cento daqueles que postam conteúdo para os "Meninos Ricos do Teerã", são filhos da elite dominante.

No entanto, não são os filhos da aristocracia tradicional, que são mais discretos com a sua riqueza. São os filhos dos novos ricos, que ganharam a sua riqueza ao alcançar o poder.

Depois de dois acidentes de carro de luxo, em que um dos "meninos ricos" estava ao volante, o aiatolá Ali Khamenei denunciou a sua geração, dizendo que foram "intoxicados pelo seu dinheiro." Apesar disso, nenhuma ação foi tomada e os "Meninos Ricos do Teerã "continuam a exibir os seus estilos de vida.

8- Os Filmes Ocidentais São Enormemente Populares


Antes do aiatolá Khomeini chegar ao poder em 1979, os iranianos amavam os filmes americanos. Depois disso, todos os filmes americanos foram proibidos, porque o aiatolá disse que glorificavam o estilo de vida ocidental. Os iranianos queria ver os filmes americanos na mesma, mas a sua única opção era contrabandear cópias piratas no país e visualizá-las clandestinamente.

As cópias de shows de televisão americanos, filmes de baixa qualidade e cassetes de vídeo, tornaram-se altamente valorizadas. No entanto, o negócio era perigoso. Bijan, recebeu 100 chicotadas e foi multado em US $ 900, o equivalente à renda de um ano para a maioria das famílias de classe média, quando foi descoberto que vendia vídeos piratas.

Havia um pouco de verdade no que o aiatolá disse sobre os filmes ocidentais. As pessoas querem imitar o que vêm na televisão. Quando o filme Top Gun se tornou popular no Irão, os óculos de sol Ray-Ban do filme tornaram-se muito populares. Os homens também começaram a imitar o penteado do Tom Cruise, o que as autoridades tentaram combater, forçando os homens a raspar a cabeça. Mas, com o enorme número de pessoas que seguiram essas tendências ocidentais, as autoridades pararam de reforçar as leis contra eles.

Depois das cassetes de vídeo passarem de moda, os DVDs substituíram-nas. Apesar do Irão ser agora mais aberto aos filmes ocidentais no século 21, muitos ainda são proibidos. O filme Argo foi proibido, porque retrata alguns dos eventos da crise de reféns iraniana, de 1979. Ironicamente, centenas de milhares de cópias do filme foram vendidas no Irão, tornando-se um dos filmes piratas mais populares do país.

7- Muitos Jovens Perdem a Virgindade Antes do Casamento


Na maioria dos países ocidentais, a ideia de permanecer virgem até ao casamento é relegada a uma minoria evangélica cada vez menor. Mas, no Irão, é a lei. O aborto e o sexo fora do casamento são proibidos sob a lei islâmica, embora a prova da virgindade não seja necessária para o casamento. Apesar disso, muitos homens querem que os seus futuros cônjuges forneçam "certificados de virgindade".
De acordo com um estudo de homens iranianos entre as idades de 19 e 29 anos, mais de um quarto deles tiveram sexo fora do casamento. Segue-se, principalmente, a tendência geral em todo o resto do mundo: As pessoas estão a adiar o casamento, mas estão a ter encontros sexuais.

Economicamente, o casamento não é viável para muitos jovens no Irão. Nos últimos anos, a inflação alta, o desemprego e a escassez de habitação, têm impedido as pessoas de se casar quando se tentam estabelecer. Para combater esta tendência, um "fundo de rezas de amor" de £ 720.000.000, como referência a um dos 12 imãs dos xiitas, foi criado para fornecer empréstimos de casamento para incentivar as pessoas a casar mais cedo.

Outra razão para estas tendências do sexo e do casamento no Irão é o aumento do feminismo. Embora o feminismo seja geralmente desaprovado, as mulheres jovens apoiam-no e, muitas vezes, estão mais interessadas em trabalhar para terem uma carreira, do que em encontrar um marido.

No passado, os lençóis da cama sujos de sangue eram usados como prova da virgindade. No entanto, existe agora uma opção para as mulheres que perderam a virgindade antes do casamento. Algumas clínicas privadas oferecem uma cirurgia chamada himenoplastia, em que o hímen de uma mulher é recolocado como uma maneira de "provar" a sua virgindade.

Por muito cruel que pareça, é um procedimento comum as famílias forçarem as meninas a esconder a sua "impureza" dos seus futuros maridos.

6- Há Uma Opção em Torno do Sexo Antes do Casamento


No Irão, há uma maneira legal de ter uma relação sexual sem casar-se. Os "casamentos de prazer" temporários, chamados casamentos mut'ah, são permitidos sob a lei islâmica. Existem, precisamente, com o propósito de ter relações sexuais sem consequências sociais e religiosas. Podem durar meses, semanas, dias ou mesmo horas, dependendo do que se decidir.

No Irão, os mut'ahs são incrivelmente populares entre os jovens e são comparáveis a namorar no mundo ocidental. No Irão, o namoro casual não é permitido, mas ter um mut'ah permite contornar este problema. É defendido pela maioria dos funcionários do governo, incluindo o ex-presidente iraniano Hashemi Rafsanjani. Em 1990, disse que os casamentos temporários eram uma maneira de locomover a "promiscuidade ocidental" e evitar as doenças sexuais.

Outros afirmam que os casamentos temporários desvalorizam os envolvidos. Um jovem escreveu a um jornal: "Tenho 23 anos de idade. Se casar com uma jovem mulher temporariamente por 3 anos e depois divorciar-me dela, alguém iria estar disposto a casar-se com ela?"

A virgindade ainda é importante para os futuros maridos, portanto, um casamento temporário pode prejudicar a vida de uma mulher no futuro. No entanto, perder a virgindade num casamento temporário não é o mesmo que num relacionamento solteiro. É considerado parte do casamento e, portanto, aprovado. Pode parecer incomum como para as pessoas do Ocidente, mas esta é uma parte da vida de muitos casais do Irão.

5- Os Jogos de Vídeo São Altamente Populares e Utilizados Como Ferramentas Pelo Governo


Os jogos de vídeo no Irão são semelhantes aos jogos da América. No entanto, enquanto os jogadores da América jogam por diversão, os iranianos usam os jogos de vídeo como parte de uma suave guerra cultural. Com o afluxo da cultura pop ocidental, o governo iraniano está a tentar usar os jogos de vídeo para inspirar uma nova geração de iranianos. Um exemplo seria o jogo financiado pelo governo que explica a fatwa contra o autor Salman Rushdie. É chamado A Vida Stressante de Salman Rushdie e a Implementação do Seu Veredito.

Um jogo de vídeo americano, Prince of Persia, inspirou os desenvolvedores do Irão a criar o jogo Quest of Persia, que posteriormente se tornou a mais popular série de jogos de vídeo do país. E, inclusive, tem recebido elogios fora do Irão, pela sua precisão histórica e pelas belas imagens. Na verdade, a maioria dos jogos de vídeo iranianos são concebidos como medievais épicos de espadas e sandálias, devido ao sucesso de Quest of Persia.

Os jogos de vídeo para além dos temas das espadas e das sandálias são difíceis de existir, devido à fraca economia. Outros jogos de vídeo iranianos são os jogos de tiro desenvolvidos como propagandas. Por exemplo, no jogo A Operação Especial 85: O Resgate de Reféns, o jogador tem que resgatar os cientistas iranianos das forças israelenses e americanas.

Tal como acontece com o contrabando dos filmes, os jogos de vídeo piratas americanos são populares e caros também.

4- O Tráfico Humano é um Problema Grave


Desde 2006, que a República Islâmica do Irão tem a classificação mais baixa possível para lidar com o tráfico humano. O número de adolescentes traficados no Teerã está entre 35,000-50,000. São forçados a trabalhar nas ruas, nas fábricas e em quaisquer outras operações que os traficantes ordenem.

Na verdade, o problema é tão grave que o Departamento de Estado dos EUA afirmou que o Irão é uma "fonte presumida de tráfico sexual e trabalho forçado para os homens, mulheres e crianças." Essa é uma maneira elegante de afirmar que o Irão é um importante fornecedor de escravos humanos.

De acordo com a Constituição do Irão, o tráfico de pessoas e o trabalho forçado é proibido. Mas isso não impedie as pessoas poderosas de fazê-lo, especialmente às pessoas mais vulneráveis do país. Os migrantes são raptados e traficados.

Devido à natureza volátil de muitos países do Oriente Médio, os migrantes muitas vezes vão para o Irão à procura de trabalho, porque o Irão é relativamente estável quando comparado a países mais violentos, como o Afeganistão ou a Síria. No entanto, uma vez que os migrantes chegam, são ameaçados para situações de trabalho forçado sem pagamento ou até mesmo por servidão devido a dívidas, em que têm de trabalhar até que todo o dinheiro de um empréstimo ou outra obrigação seja reembolsado ao seu empregador.

De acordo com os relatórios das organizações dos direitos humanos, o governo iraniano não faz nada para acabar com os abusos desenfreados. A questão veio à tona pela primeira vez em 2004, mas o Irão não fez qualquer esforço para processar as organizações criminosas. Embora isso possa ser parcialmente explicado pela corrupção, também houve rumores de que o tráfico humano se estende às comunidades religiosas do Irão, que exercem grande influência sobre o governo.

Mesmo que uma vítima do sexo feminino leve os seus violadores ao tribunal, o testemunho de uma mulher vale apenas metade do de um homem. Se a mulher for submetida a abusos sexuais, será considerada culpada de adultério e pode enfrentar a pena de morte.

3- A Maioria dos Iranianos Tem Uma Opinião Favorável Acerca do Oeste


Quando os ocidentais pensam no Irão, provavelmente imaginam o ex-presidente, Mahmoud Ahmadinejad, a vomitar ódio contra a América e Israel ou em imagens de iranianos a queimar as bandeiras americanas e os israelenses nas ruas. Mas essas percepções são baseadas num pequeno segmento da população do Irão. Na verdade, a maioria dos iranianos tem uma opinião positiva acerca do Ocidente, especialmente da América. Aproximadamente 51 por cento dos iranianos entrevistados dizem que gostam da América.

Em geral, os iranianos têm uma visão mais positiva dos EUA do que qualquer outro país do Oriente Médio. Um total de dois terços dos cidadãos iranianos acredita que os laços diplomáticos devem ser restaurados com a América. Curiosamente, porém, apenas 8 por cento dos iranianos aprova os líderes dos EUA.

Ainda assim, num país onde quase toda a forma de comunicação é monitorada, acredita-se que a aprovação ocidental poderia mesmo ser mais elevada do que as pesquisas mostram. Embora os líderes do Irão chamem à América o "Grande Satã", a maioria dos iranianos ama o que vêm como o ideal americano, de prosperidade e liberdade.

2- Muitos Iranianos Comuns Não Aprovam o Seu Governo


No Irão, ainda é um crime grave criticar o governo. Mesmo assim, muitos especialistas notam que os cidadãos iranianos estão cada vez mais insatisfeitos com o seu governo. Para contornar esses problemas, os iranianos têm de ser cautelosos ao falar negativamente sobre o governo.

Os iranianos que deixam a sua terra natal ainda receiam expressar opiniões negativas, porque sabem que a inteligência iraniana segue os antigos cidadãos. Mesmo assim, alguns são corajosos o suficiente para dizer que muitos cidadãos não têm fé no ayatollah ou no governo que os controla.

Embora a crítica pública ao país seja proibida, muitos iranianos assumem o risco de dizer exatamente como se sentem, em privado.

1- Os Jovens Iranianos Estão a Lutar Pela Mudança


Cerca de 60 por cento da população iraniana tem 40 anos de idade, tornando a juventude do Irão uma força influente agora e no futuro. Foram inspirados pelos ideais ocidentais e a sua moralidade tem sido influenciada principalmente pela cultura ocidental. Se as pessoas mais jovens do Irão continuarem a pensar e a comportar-se como agora, pode haver uma mudança de poder no futuro.

Ao invés de falar contra a política, muitos jovens iranianos vestem-se e agem contra as regras tradicionais. Querem o que a maioria dos outros jovens querem: bons empregos e o direito de se divertirem e viverem como querem. Gostam das culturas ocidentais e querem ter a liberdade de expressar-se.

O Presidente Hassan Rohani, que foi eleito em 2013, por uma grande maioria de jovens, muitas vezes defende a clemência para os jovens do Irão. Hoje, as meninas usam maquilhagem e mostram mais os seus rostos, atirando os seus véus para trás. Os casais andam de mãos dadas em público, um acto que já foi estritamente proibido. E também ouvem música pop ocidental.

Os reformistas estão lentamente a ganhar mais tração porque os jovens estão a desrespeitar as convenções estritas do país. Embora o governo iraniano ainda seja muito restrito contra a reforma dos militantes, pequenas mudanças estão a ocorrer, o que leva a mais esperança de um melhor futuro.

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