sábado, 6 de fevereiro de 2016

A Bailarina Que Tentou Derrubar o Governo do Panamá

"Uma revolução não é um rastro de rosas. [...] A revolução é uma luta até à morte entre o futuro e o passado." - Fidel Castro

Em Resumo

Quando a bailarina de renome mundial Dame Margot Fonteyn se casou com o filho de um presidente panamenho, viu-se envolvida numa comédia de erros apoiados por Fidel Castro. O objetivo era derrubar o governo pró-EUA, mas quando as autoridades no Panamá descobriram, foi tudo por água abaixo, apesar de todas as medidas que se tinham tomado, como ter uma fonte modelo baseada em Nova Iorque e camisas verdes e braçadeiras brancas para as forças rebeldes.

A História Completa

Em 1959, um trama bizarro desenrolou-se no Panamá. A tentativa de golpe e os papéis dos poucos jogadores bem conhecidos seriam mantidos em segredo durante as cinco décadas seguintes e envolveram uma bailarina, o seu marido diplomata e um modelo britânico.

Não precisa de saber nada sobre o mundo da dança para reconhecer o nome Dame Margot Fonteyn. Ela, juntamente com o seu parceiro, o dançarino russo Rudolf Nureyev, estavam no topo da lista da elite da dança. Acontece que ela era uma espia internacional bem sucedida.

Fonteyn foi casada com o Dr. Roberto Arias, filho de um ex-presidente do Panamá e embaixador britânico. Em 1959, o governo era uma organização pró-EUA que tinha alguns poderosos inimigos, incluindo Fidel Castro. Castro poderia ter apoiado a tentativa de golpe, mas podia tê-lo feito com um pouco mais de orientação.


Toda a ação começou quando Fonteyn se aproximou de uma amiga, que trabalhava como modelo em Nova Iorque, na época. Fonteyn contatou a sua amiga, Judy Tatham, para conseguir algumas camisas. A modelo tinha conexões na indústria do vestuário e Fonteyn necessitava de cerca de 500 camisas verdes e braçadeiras brancas, que usariam para rotular os que faziam parte do golpe.

Tatham, que descobriu que as camisas eram de uma revolução, pensou que era um timing perfeito.

Então, embalou todas as braçadeiras em algumas grandes caixas de pensos higiénicos com o pressuposto de que ninguém iria olhar duas vezes para uma modelo que estava a carregar várias caixas gigantes de pensos higiénicos para as suas férias no Panamá. Ela, as suas braçadeiras e as suas caixas, partiram em direção ao sul.

As autoridades do Panamá já sabiam da tentativa planeada, então, quando interromperam as tentativas dos rebeldes que se organizaram ao largo da costa, tudo começou a desmoronar-se imediatamente. Fonteyn decidiu usar o seu próprio iate como chamariz, o que soa um pouco ousado à primeira vista. Os documentos desclassificados mostram que foi um ato de pânico e ela começou a atirar as evidências ao mar.

Infelizmente, não se desfez de todas as evidências. Abandonou as braçadeiras para o lado do navio, mas as caixas com as cartas incriminatórias permaneceram. Foram finalmente enterradas em terra, juntamente com o esconderijo das armas dos rebeldes. Foi tudo encontrado quase imediatamente e Fonteyn foi presa quando saiu inexplicavelmente da zona do cofre. Libertada em apenas um dia, apesar de todas as evidências que tinham contra ela, dirigiu-se primeiro a uma embaixada brasileira e, em seguida, para fora do país.

Tudo isto ocorreu apenas três anos depois de ter sido nomeada oficialmente Dama da Ordem do Império Britânico e esses mesmos funcionários britânicos que tinham elogiado a sua graça e habilidade, condenaram-na por organizar e participar num golpe.

As garantias de Fonteyn de que não tinha intenção de reivindicar o canal para si, levou muitas pessoas a acreditar que o seu papel em todo o plano era simplesmente o de um fantoche do seu politizado e ambicioso marido.

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