sábado, 24 de setembro de 2016

A Ciência Pode Medir a Moralidade ou a Coragem?

"A coragem é a principal qualidade da liderança, na minha opinião; não importa onde seja exercida. Normalmente implica algum risco - especialmente em novas empresas." - Walt Disney


Quando se trata de saúde e nutrição, uma das escalas mais conhecidas é a escala de índice de massa corporal, ou IMC. É um conceito muito simples inventado por um matemático belga do século 19, quando reivindicou ter descoberto que, após a puberdade, o peso ideal de uma pessoa é a sua altura ao quadrado.

Por alguma razão, era a maneira exata de medir a obesidade, apesar do fato de ignorar alguns fatores como o tamanho da cintura, a densidade muscular e a densidade óssea; o que significa que muitas pessoas que estão em incrivelmente boa forma, como a maioria dos profissionais atletas, serão considerados obesos pela escala. 


A escala tem uma história fascinante, porém, e tudo gira em torno do seu inventor. Adolphe Quetelet nasceu em 1796 e publicou pela primeira vez o que chamou de Índice de Quetelet, em 1832. (Ancel Keys deu-lhe o nome moderno, em 1972.)

Quetelet era um grande fã de estatísticas. Em 1853, organizou o Congresso Internacional de Estatística e tentou classificar as causas de morte em todo o mundo.

Quando voltou a sua atenção para medir a obesidade numa escala, abriu um novo caminho. A ideia de que o excesso de peso era uma coisa má ainda era nova.

Durante gerações, ter algum peso extra era sinal de que se era saudável, rico e desfrutava da boa vida; os impactos negativos sobre a saúde só começaram a ser explorados em meados de 1800.

Quetelet descobriu que era bastante simples, uma vez que uma pessoa tivesse passado o período turbulento que é a puberdade. O peso mais saudável era medido em quilogramas pela altura da pessoa ao quadrado, medido em metros. (Hoje, sabemos que não é o caso.)

Mas Quetelet também trabalhava num campo a que chamou "física social". Assim como determinou uma forma de medir o peso ideal de uma pessoa, pensou que deveria haver uma maneira similar para medir coisas como a inteligência, a moralidade e a coragem.

Considerou fatores como a atividade criminosa de uma área. Por exemplo, poderia tentar determinar a propensão criminosa média que uma pessoa de Bruxelas poderia ter.

Os seus estudos de moral foram ainda mais rebuscados. A altura era medida em metros e o peso em quilogramas, mas que unidades poderiam ser utilizadas para medir a moralidade?

E havia um problema ainda maior. Alguém poderia ser a pessoa mais corajosa do mundo, mas a menos que algo acontecesse para lhe dar a oportunidade de provar a sua coragem (e que alguém estivesse lá para filmar ou testemunhar), isso não importava.

Quetelet partilhou a sua ideia com outros, que prontamente o acharam doido. Forçado a defender o conceito sozinho, Quetelet afirmou que ele a preparar o terreno para escalas que seriam desenvolvidas mais tarde; comparando o seu trabalho à astrologia, que havia sido considerada uma ciência insana e tudo o que tinha precisado para ganhar credibilidade fora algum trabalho e algumas teorias concretas.

Hoje, temos escalas para medir a inteligência, mas as escalas para a coragem continuam a ser mais evasivas.

Quetelet continuou a argumentar que tudo o que era necessário era uma maneira de reunir dados e que as suas escalas, medidas e comparações, não eram absurdas.

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