segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Muitos Presos no Corredor da Morte Continuam Surpreendentemente Positivos


A maioria das pessoas passeia pela vida com a feliz ignorância de não saber como ou quando será o seu último dia de vida. Para os presos no corredor da morte, não existe essa ignorância, dado que a data está marcada. À medida que essa data está cada vez mais perto, provavelmente são forçados a recordar a sua vida e a pensarem como será o fim.

Independentemente das suas crenças sobre a pena de morte, é indiscutível que tornar uma pessoa consciente do dia exato e momento em que vai morrer fará algumas coisas estranhas à mente.

Alguns estudos analisaram as últimas palavras e refeições dessas pessoas e revelaram algumas coisas surpreendentes. 

Os pesquisadores da Universidade Johannes Gutenberg de Mainz, na Alemanha, analisaram as últimas palavras de 407 presos antes de serem executados no Texas.

Estudaram os estados de espírito dos detentos nos momentos finais. Não só as últimas palavras eram mais positivas do que negativas, como a taxa de positividade era maior do que a base de palavras positivas noutros materiais escritos e noutras declarações relativas à mortalidade. A maioria das declarações eram focadas em si próprios, no presente e num lugar na sociedade, ao invés de no padrão esperado de palavras relacionadas com a morte.

Na verdade, a emoção mais comum expressa nas últimas palavras dos detentos era o amor. Eles pediram perdão, fizeram referências religiosas e expressaram afeição pelas pessoas que estiveram presentes nas suas vidas.

O estudo também analisou a linguagem de 167 notas de suicídio e encontraram um padrão notavelmente semelhante. Grande parte da linguagem utilizada icluía emoções positivas e sentimentos como a gratidão.

Os pesquisadores sugeriram que a positividade e as emoções expressas nessas últimas palavras são uma espécie de mecanismo de defesa para ajudar a pessoa a enfrentar a sua mortalidade iminente. O terror e o medo ainda estão lá, mas estão conscientes de que o fim se aproxima e um mecanismo psicológico ajuda-os a processar esse fato.

Outro estudo fascinante da Universidade de Cornell analisou a correlação das últimas refeições a sentimentos de culpa e inocência.

O estudo começou com Ricky Ray Rector, que recusou a torta de nozes solicitada para a sua execução. Isso levou a um debate sobre se ele era mentalmente competente para enfrentar a execução. Quando os pesquisadores da Cornell analisaram melhor as últimas refeições, o que era pedido, recusado e o que era feito com a comida, encontraram uma correlação entre a refeição e a atitude da pessoa para com as suas ações.

O estudo durou 5 anos e descobriram que as pessoas que mantiveram a sua inocência (ou negaram a culpa, o que não é exatamente a mesma coisa) eram 2,7 vezes mais propensos a recusar a última refeição. Aqueles que enfrentaram o que tinham feito, pediram perdão e encontraram algum tipo de paz com isso, pediam a sua última refeição. Pediam mais comida e consumiam até 34 por cento mais calorias. Estranhamente, aqueles que negaram a sua culpa, mas pediram uma última refeição, evitaram uma coisa em particular: os alimentos de marca.

Então, quais são os pedidos mais comuns para uma última refeição? Cerca de 84 por cento incluem algum tipo de carne altamente calórica, cerca de 68 por cento incluem frango frito e cerca de 67 por cento pediam uma sobremesa.

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