sábado, 17 de dezembro de 2016

10 Fatos Interessantes Sobre o Controle Populacional na Grécia Antiga

A demografia da Grécia antiga sempre foi um tema difícil de estudar. Embora as fontes antigas não forneçam dados estatísticos confiáveis ​​sobre o parto, a mortalidade, a expetativa de vida e outras métricas relacionadas, sabemos muito sobre as práticas e os problemas que afetaram os níveis populacionais.

O folclore e as imagens gregas antigas glorificam a energia procriadora da sexualidade feminina. Mas também sabemos que, em algumas circunstâncias, as mulheres queriam evitar a gravidez ou descartar as crianças ilegítimas, deformadas ou doentes.

10- O Silphium (Silício)


Há uma abundância de evidências gravadas de que os gregos estavam familiarizados com as propriedades contracetivas de uma pequena árvore conhecida como Silphium, que pertencia ao género Ferula. Essa planta foi descoberta e comercializada pelos colonos gregos em Cirene, uma antiga cidade grega na costa norte-africana, perto da atual Shahhat, na Líbia.

Todas as tentativas de transplantar e de cultivar a árvore de silício fora de Cirene não tiveram êxito. A sobre-exploração do silício levou à sua extinção. No primeiro século d.C., a planta era cara devido à baixa oferta e a última referência histórica que conhecemos é datada do século IV d.C.

Os testes clínicos realizados com extratos de plantas de espécies relacionadas têm mostrado que eram contracetivos eficazes em animais, dado que o extrato é administrado dentro de 3 dias de acasalamento. Isso sugere que o silício pode ter sido usado como pílula, à base de plantas, sendo similar às pílulas do dia seguinte.

9- Os Procedimentos Mágicos


Na Grécia antiga acreditava-se que as misturas mágicas, os feitiços, os amuletos e os encantamentos, ajudavam na reprodução e na contraceção. Por alguma razão, acreditava-se que os testículos de uma doninha agissem em ambos os casos.

De acordo com um texto grego antigo conhecido como Cyranides, acreditava-se que o testículo direito de uma doninha "reduzido a cinzas e misturado numa pasta com mirra" ajudava na conceção quando inserida na vagina de uma mulher numa pequena bola de lã antes do encontro sexual.

O uso de contracetivos de testículos de doninhas empregava o testículo esquerdo "envolto em pele de mula e anexado à mulher." Como o texto não nos diz exatamente como os testículos deveriam ser anexados à mulher, não é possível confirmar ou negar a eficácia desse procedimento.

8- A Contraceção Masculina


Algumas fontes antigas referem-se a uma planta, denominada Periklymenon, que se acreditava atuar como contracetivo masculino, mas todas as tentativas modernas para identificá-lo falharam. O renomado médico grego Galen relatou que a árvore casta era usada pelos atletas para prevenir ereções. Há outras referências que alegam que as folhas da casta eram mastigadas pelos sacerdotes para diminuir o desejo sexual.

Os testes modernos do extrato da árvore pura em cães mostrou que era um bloqueador eficaz da produção de esperma. O Coitus Interruptus (coito interrompido) foi um método conhecido de contraceção masculina, mas não está claro até que ponto esse método foi empregado, a julgar pela escassa referência a ele.

7- O Aborto


O aborto era um procedimento muito conhecido na Grécia antiga. Embora os gregos antigos soubessem dos procedimentos cirúrgicos e químicos para interromper uma gravidez, a evidência literária sugere que os métodos cirúrgicos eram desencorajados devido aos riscos que poderiam causar à mãe.

Sócrates, cuja mãe era parteira, disse em Plato’s Theaetetus, "Com as drogas e encantamentos que administram, as parteiras podem [durante a fase inicial da gravidez] causar um aborto espontâneo, se assim o decidirem." A literatura médica grega antiga gravou os nomes de várias plantas que foram usadas para terminar gravidezes adiantadas.

Embora o aborto tenha sido considerado controverso em algumas cidades gregas, não há nenhuma evidência de que era um crime punível. Os antigos textos médicos gregos indicam que o aborto era frequentemente praticado pelas prostitutas.

6-O Infanticídio


O infanticídio era um método muito conhecido do planeamento familiar. Do ponto de vista jurídico, uma criança tinha pouca proteção até a anfidromia ser realizada, que era a cerimónia em que o pai nomeava a criança.

Em geral, a criança poderia ser morta sem qualquer dificuldade legal ou controvérsias morais em qualquer momento antes da cerimónia ser realizada. Além disso, em alguns códigos de leis gregas antigas, o infanticídio era um curso de ação aconselhável sob circunstâncias específicas.

O termo "exposição infantil" (excluir a criança) é usado em fontes antigas, presumivelmente como um eufemismo para o infanticídio, em muitos casos. O resultado do abandono de um bebé é morte ou a adoção por terceiros.

A exposição infantil é um tema repetitivo no folclore e nas ledas antigas e a Grécia não é exceção. Essa evidência literária sugere que o infanticídio era provavelmente um método difundido de limitar o tamanho da família, embora a extensão exata em que foi empregado seja difícil de avaliar.

5- As Crianças Deformadas


Há uma forma muito específica de infanticídio registada na Grécia antiga que tem sido fortemente ligada a Esparta. De acordo com Plutarco, cada recém-nascido espartano tinha de ser levado aos anciãos para exame:

Se [o bebé] fosse bem-construído e robusto, ordenariam ao pai que o criasse [...]; mas se fosse mal-nascido e deformado, seria enviado para o chamado Apothetae, um lugar de abismo semelhante ao Monte Taygetus, na convição de que a vida daquele que a natureza não tivesse bem-equipado no início para ter a saúde e força, não teria nenhuma vantagem nem para si nem para o Estado.

A realidade é que os espartanos não eram os únicos preocupados com as crianças deformadas. No Livro 7 do seu trabalho de Politica, Aristóteles suporta o infanticídio no caso dos bebés deformados: "Quanto à exposição e educação dos filhos, que haja uma lei de que nenhuma criança deformada viverá."

Até mesmo os romanos na Lei das Doze Tabelas (a fundação do sistema legal de Roma) contemplavam o assassinato das crianças deformadas: "Uma criança particularmente deformada será morta imediatamente".

4- A Homossexualidade


O estudioso americano William Percy argumentou que o incentivo de relações sexuais entre membros do mesmo sexo na Grécia antiga, particularmente a pederastia ateniense institucionalizada, era destinada a controlar o nível da população. Uma interpretação no mesmo sentido já tinha sido expressa por Aristóteles, que argumentou que o objetivo por trás da pederastia institucionalizada da sociedade cretense era verificar o crescimento demográfico.

Não parece possível confirmar se as práticas homossexuais na Grécia antiga eram encorajadas com o propósito consciente de verificar o crescimento demográfico. Mas é razoável supor que, à medida que o número de encontros sexuais entre membros do mesmo sexo aumentava, a frequência das relações sexuais entre membros do sexo oposto provavelmente seria reduzida.

A homossexualidade poderia muito bem ter tido um efeito sobre o controle da população; não como uma estratégia conscientemente destinada a verificar os níveis populacionais, mas meramente como um efeito colateral inevitável de limitar a atividade heterossexual.

3- Os Regulamentos Legais


Vários aspetos do controle populacional tinham uma regulamentação legal na Grécia antiga. Na cidade de Gortyn, foram encontradas informações detalhadas sobre várias leis inscritas por volta de 450 a.C.

O código de leis Gortyn permitia a exposição do latente, em alguns casos: "Se uma esposa que está separada (pelo divórcio) tiver um filho, (eles) irão levá-lo ao marido na sua casa, na presença de 3 testemunhas; e se ele não o receber, a criança deve ficar no poder da mãe ou ser exposta."

Curiosamente, o código da lei de Gortyn também contemplava multas se uma mulher não cumprisse esse regulamento: "Se a esposa separada (pelo divórcio) expuser o seu filho antes de apresentá-lo como está escrito neste código legal; será condenada e pagará, por um filho livre, 50 estadistas, por um escravo, 25."

Na cidade de Tebas, a lei não permitia o infanticídio. No entanto, os pais pobres eram autorizados a vender os seus filhos.

2- A Mortalidade e a Expetativa de Vida


A guerra foi indiscutivelmente o fator mais importante para a mortalidade de homens adultos, embora a mortalidade materna, neonatal e infantil também fosse alta. Não existem dados fiáveis ​​sobre aestatísticas demográficas que tenham sobrevivido até aos nossos dias, mas alguns estudiosos chegaram a diferentes números. As estimativas de morte materna variam de 5 a 20.000, um cálculo verdadeiramente baixo e provavelmente irrealista, para 25 em 1.000. Essa taxa variaria em locais diferentes, em momentos diferentes.

Com base nos dados de antropologia forense dos cemitérios da Grécia Clássica, a mortalidade infantil foi estimada em cerca de 30 por cento, assumindo que a amostra de restos humanos analisada é representativa da população mais ampla, o que é incerto.

Os antigos gregos inventaram a palavra Amphithales ("florescer em ambos os lados") para se referirem a uma criança com ambos os pais ainda vivos. O fato de que uma palavra especial foi empregada para se referir a essa situação sugere que a expetativa de vida era baixa.

1- Os Variados Métodos de Controle de Nascimento


A literatura antiga regista uma série de métodos contracetivos adicionais que são difíceis de classificar e de eficácia duvidosa. No primeiro século d.C., o médico grego Dioscorides recomendou ungir os genitais masculinos com goma de cedro e aplicar alum ao útero. Acredita-se que tal prática tornasse o útero inadequado para hospedar a semente masculina.

Outros métodos incluem a utilização de um supositório de hortelã-pimenta e mel antes da relação sexual e um pessário apimentado após a atividade sexual para "secar" o útero e torná-lo hóstil para o feto.

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