terça-feira, 30 de maio de 2017

10 Fatos Estranhos Sobre Pitágoras: Matemático e Líder de Culto

Pitágoras, o homem por trás do teorema de Pitágoras era mais do que apenas um matemático. Era um líder espiritual com seguidores que pensavam que ele tinha sido enviado do Céu. Para os pitagóricos, a matemática era uma experiência religiosa e algumas equações eram segredos divinos, impróprios para os olhos do público.

Quando o seu professor da escola secundária lhe mostrou como encontrar a hipotenusa de um triângulo reto, você, caro leitor, provavelmente não ficou de joelhos e começou a adorá-lo como um Deus. Mas quando aconteceu pela primeira vez na Grécia antiga, isso foi praticamente como as pessoas reagiram.

Havia um culto inteiro atrás do homem que descobriu como medir o lado de um triângulo e - como pode imaginar - tinham algumas crenças muito estranhas.

10- Pitágoras Liderou um Culto Que Adorava Números


Pitágoras tinha seguidores. Um grupo inteiro de matemáticos inscreveu-se para serem seus alunos, para aprenderem tudo o que ele sabia e para ajudá-lo a resolver os grandes enigmas do universo. Mas isso era mais do que apenas um grupo de pessoas que gostavam de matemática - era uma verdadeira religião.

Acreditavam que os números eram os elementos por trás do universo inteiro. Pitágoras ensinou aos seus seguidores que o mundo era controlado por harmonias matemáticas que constituíam cada parte da realidade. Mais do que isso, esses números eram sagrados - quase como deuses.

Os pitagóricos tinham números sagrados. 7 era o número de sabedoria, 8 era o número da justiça e 10 era o número mais sagrado de todos. Cada parte da matemática era sagrada. Quando resolvessem um novo teorema matemático, dariam graças aos deuses sacrificando um boi.

Os gregos achavam que era um pouco estranho. Não chamavam a isso apenas filosofia ou religião - consideravam     que era um culto e que era perigoso. Pitágoras assustou as pessoas. Até incendiaram a sua casa e perseguiram-no para fora da cidade, temendo o  seu comando místico sobre a sacralidade dos números.

9- Rezavam Para o Número 10


Os pitagóricos tinham um símbolo sagrado chamado Tetractys. Era um triângulo com 10 pontos em 4 linhas, destinado a simbolizar a organização do espaço e do universo. Acreditavam que o 10 era o número da ordem mais alta, que continha o curso de todas as coisas mortais. E, literalmente, adoravam-no.

Os seguidores de Pitágoras tinham uma oração que usavam para adorar o número 10. "Bendize-nos, número divino, tu que geraste deuses e homens! Porque o número divino começa com a unidade profunda e pura até chegar aos 4 santos; então gera a mãe de todos, o que tudo compreende, tudo limita (...)"

Todas as pessoas tinham que fazer isso. Se quisessem juntar-se aos pitagóricos, tinham que fazer um juramento ao triângulo sagrado. Juravam a sua lealdade afirmando "por esse nome puro, santo, de 4 letras no alto", referindo-se aos Tetractys. Então, teriam que jurar pelo próprio Pitágoras, como um Prometeu matemático, "para a nossa raça mortal trouxeram os Tetractys".

8- Pitágoras Foi Tratado Como um Deus


Os seguidores de Pitágoras realmente acreditavam que ele era um semideus. Chamavam-lhe "o divino Pitágoras" e diziam às pessoas que ele era o filho de um Deus - geralmente Hermes ou Apolo, dependendo de a quem se perguntava.

Tinham até hinos para a divindade de Pitágoras. "Pythais, a mais bela da tribo samia", dizia a letra de uma canção, "Abandonado dos abraços do Deus do dia. Renomeado Pitágoras, o amigo de Jove!"
Até pensavam que Pitágoras tinha super-poderes. Os seus seguidores disseram que ele podia domar águias e fazer com que os ursos o acarinhassem. Podia controlar qualquer animal com o poder da sua voz e tinha o poder de escrever palavras na face da Lua.

Uma das maiores lendas sobre ele era que tinha uma coxa dourada. Quando alguém duvidava da sua divindade, dizia-se que Pitágoras lhes mostraria a sua coxa cintilante e conquistaria um novo convertido. Numa história, ele mostrou a sua coxa a um padre e, como recompensa, recebeu um dardo de ouro mágico que o deixou voar sobre montanhas, expelir doenças e acalmar as tempestades.

7- Afirmou às Pessoas Que Ressuscitaria Após a Sua Morte


Não foram apenas as pessoas que começaram a inventar histórias sobre Pitágoras - ele encorajou-as. Pitágoras afirmou diretamente às pessoas que era o filho de um Deus e que tinha reencarnado repetidamente até que chegou à sua forma atual.

Pitágoras afirmou que, numa vida passada, era o filho de Hermes, que tinha oferecido a Pitágoras qualquer presente que quisesse, exceto a imortalidade. Pitágoras pediu para manter as suas memórias através de cada vida e agora conseguia lembrar-se de cada pessoa que já tinha sido. Tinha lutado com Aquiles na Guerra de Tróia. Tinha trabalhado como um humilde pescador. Até tinha sido uma bela cortesã que dormia com homens poderosos.

Mais do que isso, porém, Pitágoras afirmava que podia sentir as velhas almas nos novos corpos. A lenda afirma que viu um cão a ser espancado nas ruas e correu para parar os golpes. "Pare!", gritou Pitágoras. "É a alma de um amigo." Tudo porque tinha reconhecido a sua voz no ladrar do cão.

6- Foi um Dos Primeiros e Mais Preguiçosos Vegetarianos


Pitágoras foi uma das primeiras pessoas na história ocidental a abster-se de comer carne por razões morais. Ensinou aos seus seguidores que comer os mortos poluia o corpo - e assim nunca deveriam matar uma coisa viva.

As suas regras eram um pouco estranhas, no entanto. Lembra-se que mencionámos anteriormente o seu sacrifício de bois - e, sim, ele fez as duas coisas. Como um vegan que come peixe e frango, o vegetarianismo pitagórico tinha algumas lacunas estranhas.

"As oferendas que fez foram sempre inanimadas", escreveu o escritor grego Diógenes numa biografia de Pitágoras. Então, Diógenes esclareceu: "Embora alguns digam que oferecia galos. Mas cordeiros", explicou Diógenes, "Nunca!"

As regras de Pitágoras pareciam tão estranhas para os gregos como para nós. Durante o seu tempo, os gregos espalharam uma piada sobre um pitagórico que insistia que nunca comeu nenhuma coisa viva. Depois de ser apanhado a comer carne de cão, o pitagórico disse: "Sim, mas mato-os primeiro e assim eles não estão vivos."

5- Tinha Regras Para Tudo


Pitágoras tinha algumas regras incrivelmente rigorosas e específicas para praticamente tudo - incluindo qual sapato calçar primeiro.

"É preciso calçar o sapato direito primeiro", disse Pitágoras aos seus seguidores. E uma vez que os seus sapatos estivessem calçados, "Não se deve viajar nas estradas públicas."

Era excecionalmente rígido em relação ao sexo. Acreditava que os fluidos corporais eram parte da alma de um homem. Quando um homem os expulsava, entregava uma parte da sua força. Os seguidores de Pitágoras foram ensinados a abster-se de sexo sempre que possível. Mas se não pudessem fazê-lo, foram aconselhados: "Tenha os prazeres sexuais no inverno e no verão abstenha-se."

4- Os Novos Iniciados Tinham Que Passar 5 Anos em Silêncio 


Pitágoras acreditava que o silêncio era muito importante. Ficar quieto era uma maneira de aprender o auto-controle e, sendo assim, assegurou-se de que qualquer um que quisesse juntar-se ao seu culto pudesse fazê-lo. Qualquer um que se inscrevesse tinha de fechar a boca e mantê-la fechada durante 5 anos seguidos.

Em parte, isso era para ajudar as pessoas a permanecerem puras. Mas há muitas razões para acreditar que tinha mais a ver com certificar-se de que conseguiam guardar segredos. Mesmo na Grécia antiga, chamar-se filho de Deus e levar as pessoas a adorar números não era exatamente considerado ser um cidadão modelo.

Os pitagóricos tentaram manter aquela parte das suas vidas calma. Como resultado, não deixariam ninguém entrar, a não ser que a pessoa provasse que podia manter a boca fechada.

A maioria dos gregos, porém, não entendia as sombrias implicações desses acólitos silenciosos. Os gregos estavam felizes porque um pitagórico não estava a falar de números, para variar. Geralmente, as pessoas ficavam mais impressionadas com as pessoas quietas do que com as pessoas que tinham permissão para falar.

3- Pode Ter Afogado um Homem Por Descobrir os Números Irracionais


Um dos seguidores mais famosos de Pitágoras era Hippasus. A lenda diz que foi a primeira pessoa a provar a existência de um número irracional - e pode ter morrido por isso.

Hippasus desenvolveu uma prova que mostrou que a raiz quadrada de 2 era um número irracional, interminável. Isso foi mais do que uma grande descoberta - foi rebelião aberta. Pitágoras tinha ensinado que todos os números podiam ser expressos como proporções de números inteiros e Hippasus tinha provado que o seu professor divino estava errado.

De acordo com a lenda, Hippasus mostrou a sua prova a Pitágoras enquanto estavam num barco. Em resposta, Pitágoras agarrou em Hippasus, atirou-o para o outro lado do barco e segurou-lhe a cabeça debaixo de água até ele parar de se mover. Então, Pitágoras atirou o corpo sem vida ao mar, virou-se para os outros a bordo e avisou-os para nunca contarem a ninguém o que tinha acontecido.

Essa história provavelmente não é verdadeira. Parece ser uma versão retorcida de uma fábula pitagórica que dizia que Hippasus foi afogado pelos deuses como punição por revelar o segredo dos números irracionais ao mundo.

Mas essa história ainda revela algo assustador sobre o culto pitagórico. Acredita-se que espalharam essa história como uma parábola - uma advertência que afirmava aos seus seguidores que se compartilhassem os segredos do culto com o mundo, poderiam esperar uma sepultura aquosa.

2- Discursava Por Trás de Uma Cortina


Havia 2 tipos de pitagóricos: os akousmatikoi e os mathematikoi. Os mathematikoi eram os seguidores mais próximos e confiáveis ​​de Pitágoras. Pitágoras encontrava-se com eles em pessoa e explicava-lhes os seus teoremas em detalhe. Foram autorizados a conhecer os segredos da matemática avançada que foram mantidos escondidos do resto do mundo.

Tinham que pagar um preço alto pelo privilégio. Para se tornar um mathematikoi, uma pessoa tinha que desistir da carne, das mulheres e de todos os bens privados. A partir de então, a sua única lealdade era para com Pitágoras.

Os demais eram autorizados a ser akousmatikoi - seguidores que nunca tinham permissão para ver o rosto de Pitágoras. Quando falava com eles, Pitágoras ficava escondido atrás de um véu como o Mágico de Oz. Nada era explicado aos akousmatikoi em qualquer detalhe. Era meramente esperado que seguissem os seus rituais. Não se podia confiar nos segredos perigosos da matemática superior.

1- Deu a Sua Vida Para Proteger as Favas


Uma das regras mais estranhas de Pitágoras era que os seus seguidores nunca tocariam em favas. Segundo ele, as favas tiravam um pedaço da alma. "São flatulentos."

Pode ter sido mais do que apenas isso. Alegou-se que acreditava que as favas continham as almas dos mortos e disse aos seus seguidores: "Comer favas e mordiscar as cabeças dos seus pais é a mesma coisa".

As favas eram tão sagradas para os pitagóricos que, no final, Pitágoras deu a sua própria vida para protegê-los. De acordo com uma história, Pitágoras encontrou o seu fim quando um homem, furioso por não ver o rosto de Pitágoras, queimou a casa dele.

Pitágoras teve que correr pela sua vida, mas parou diante de um campo de favas. Afirmou que preferia morrer do que pisar uma única fava. Deixou que os homens cortassem a sua garganta para que as favas pudessem viver.

Claro, isso é apenas uma das muitas histórias sobre a sua morte. Mas quase todas terminam com Pitágoras a dar a sua vida por um campo de favas. Em algumas histórias, é atacado por tentar derrubar o governo. Noutras, é queimado numa estaca. Mas em quase todos, Pitágoras encontra o seu fim, escolhendo dar a sua própria vida para não ter que pisar favas.

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