sexta-feira, 9 de junho de 2017

10 Fatos Estranhos Sobre a Morte na Idade Média

A morte foi vivida de forma muito diferente na Europa Medieval: as pessoas viviam em cemitérios, os ossos eram usados ​​como objetos decorativos e o sangramento de cadáveres era usado como evidência legal em casos de assassinato.

Aqui estão alguns fatos surpreendentes do maravilhoso mundo da Idade Média.

10- Viver em Cemitérios


Na Idade Média, os cemitérios eram lugares muito diferentes do que seria de esperar. Ao invés de serem destinados exclusivamente à disposição dos mortos, eram lugares de atividade social. Todos os eventos mais importantes ocorriam nos cemitérios: eleições locais, provas, sermões e peças teatrais. As prostitutas também operavam dentro dos terrenos dos cemitérios.

Como relata o historiador Philippe Aries, os cemitérios eram também locais de comércio: pertencentes à igreja, estavam isentos de tributação e tornavam-se locais procurados pelos pequenos empresários.

9- Cruciação: Sangramento Dos Corpos Como Evidência Legal


Cruciação, a compreensão de que os cadáveres sangrariam na presença do seu assassino, era uma crença comum na Idade Média. Em King James's Daemonologie (1597), o fato é descrito nas seguintes palavras:

"Num assassinato secreto, se a carcaça morta for, a qualquer momento, tratada pelo assassino, jorrará sangue como se o sangue estivesse a clamar ao céu por vingança contra o assassino".

A cruciação tinha validade legal e era usada como um teste para expor os assassinos dos tempos germânicos até ao século XVII. Essa crença baseava-se no entendimento comum de que os corpos mortos retinham uma faísca da vida que os abandonara e tinham, portanto, propriedades mágicas.

8- Ossários


A superlotação era um problema comum nos cemitérios medievais. Para libertar espaço para novos enterros, ossos e esqueletos eram exumados e empilhados nitidamente em ossários. Muitos desses lugares adquiriram um grande valor artístico, porque os ossos foram arranjados para produzir padrões e ornamentos esteticamente agradáveis.

De fato, os ossários não eram apenas uma solução para um problema prático: transmitiam uma mensagem religiosa. Observar os ossos era praticado para encorajar os crentes a meditarem sobre o seu estado mortal. Os restos eram geralmente exibidos ao lado da inscrição "És o que fomos - nós somos o que serás", incitando os visitantes a arrependerem-se e a prepararem-se espiritualmente para a sua morte. Alguns ossários mais recentes ainda podem ser visitados hoje.

7- Ressuscitar dos Mortos e os Problemas Teológicos


A ideia de que os falecidos podem interagir com os vivos foi generalizada na Idade Média e há muitos relatos de corpos mortos a sairem das suas sepulturas. Numa coleção de tais anedotas, recolhidas por Willian de Newburgh (século XII, Inglaterra), foi reivindicado que "os cadáveres dos mortos...]" e, na Escócia, os monges haviam sido visitados repetidamente por um padre morto que "gemia e murmurava de maneira alarmante".

As pessoas que "ressuscitavam" dos mortos tornaram-se um problema teológico significativo: eram essas ressuscitações milagres divinos ou atos demoníacos? A resposta dependia do contexto, embora fosse geralmente concordado que, se um corpo morto fosse possuído por um demónio, o cadáver retornaria ao estado sem vida após um exorcismo.

6- O Medo da Morte Súbita


Enquanto no nosso tempo, uma morte rápida é geralmente considerada desejável, esse não era o caso na Idade Média. As mortes súbitas eram para assassinos, suicidas e aqueles que pecavam contra Deus - não para pessoas honestas.

Acreditava-se que morrer de repente causaria que o espírito dos mortos vagasse eternamente no mundo dos vivos. Isso ocorreu principalmente porque uma morte inesperada impedia que as pessoas se preparassem espiritualmente, confessando-se.

Tratava-se de Ars Moriendi ("A Arte de Morrer"), que preparava os moribundos para uma "boa morte". Muitas vezes contrastavam cenas pacíficas de pessoas em oração e cercadas pela sua família com imagens de pecadores a morrerem entre demónios e criaturas monstruosas.

5- Danças Macabras


A "Dança da Morte", muitas vezes pintada em cemitérios medievais e renascentistas, retrata diferentes membros da sociedade a serem levados por figuras dançantes dos mortos. A mensagem é clara: independentemente da riqueza e estatuto social, todos somos iguais na nossa morte inevitável.

Curiosamente, apesar do seu tema sombrio, a "Danse Macabre" tinha uma forte conotação cómica. As freiras eram apanhadas em atos indecentes com os seus amantes e os médicos eram retratados a observar frascos da sua própria urina, desafiados por esqueletos para curarem a sua própria morte, se conseguissem.

Apesar das personificações da morte serem retratadas como piadas ou indiferença, há uma curiosa exceção. No "Danse Macabre" de La Chaise-Dieu (França, Século 15), a morte é mostrada a cobrir o seu rosto antes de levar uma criança pequena, talvez numa tentativa de não assustá-la.

4- Os Túmulos de Transi


Esses túmulos exibem efígies de pessoas falecidas onde os mortos são representados como estando num estado avançado de decomposição, muitas vezes até devorado por criaturas monstruosas, sapos ou cobras. A palavra "transi" indica um corpo no processo de decomposição.

Nalguns casos, os túmulos têm 2 níveis: no topo, a pessoa é retratada como uma vida que parte pacificamente, muitas vezes em oração. No nível inferior, o mesmo indivíduo é mostrado num estado avançado de decomposição.

O túmulo de Luís XII e Anne de Bretanha em St Denis (Paris, século XVI) é particularmente descritivo; o artista capturou até mesmo os menores detalhes. Abaixo das figuras de oração do rei e da rainha, os 2 corpos são mostrados com as marcas dos pontos do embalsamador nos seus estômagos.

3- Frau Welt


Estas estátuas bizarras, encontradas na maior parte como elementos decorativos em catedrais alemãs, descrevem os homens ou as mulheres novas e bonitas. A frente da estátua retrata uma imagem de saúde e felicidade e a parte de trás revela a carne a apodrecer, horrivelmente desfigurada por vermes, cobras e sapos.

Como muitos dos aspetos descritos nesta lista, Frau Welt tinha um significado alegórico, pois encarnava o engano do mundo: a beleza, a abundância e os prazeres mundanos da vida são temporários e superficiais e levam a um estado de corrupção moral.

2- Morte Aparente


Na Idade Média, a ausência de respiração, movimento e sensibilidade era geralmente considerada suficiente para diagnosticar a morte de um paciente. No entanto, há relatos de métodos bastante incomuns que eram usados ​​para verificar se a morte havia ocorrido realmente. Em La Chanson de Roland, o poema épico, Charlemagne morde o pé de Roland esperando que a dor possa despertá-lo.

O médico medieval Bernard de Gordon sugere "chamar [a pessoa] em voz alta, puxar os cabelos, torcer os dedos [...] e picá-lo com uma agulha." Se todos esses métodos falhassem, o médico sugeria colocar uma pequena bola de lã ao lado da boca do paciente: se os fios se movessem, então o paciente ainda estaria a respirar.

Casos de morte aparente não eram frequentes, pois os mortos eram muitas vezes mantidos em casa durante alguns dias antes do funeral.

1- O Culto Das Relíquias


O culto das relíquias é um dos aspetos mais marcantes da Idade Média. Corpos inteiros ou partes do corpo, que se pensa terem pertencido a santos cristãos, foram acreditados ter poderosas propriedades curativas.

O culto atingiu o seu auge entre o século XI e XIII. As pessoas viajavam grandes distâncias para poderem orar diante das relíquias, pedindo ao santo para interceder por elas.

Fragmentos de relíquias foram mesmo costurados em panos de altar e acreditava-se que a Eucaristia (Sagrada Comunhão) só poderia ser comemorada num altar coberto com esse pano.

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