quarta-feira, 27 de setembro de 2017

10 Principais Fatos Loucos Sobre a Psiquiatria no Século 19

O tratamento dos doentes mentais tem um passado notório repleto de mal-entendidos, tortura e teologia. Com o alvorecer do século XIX, o caminho para a compreensão começou a ser pavimentado, levando, em última instância, às descobertas psicológicas de Sigmund Freud e ao estudo da neurologia. Não se trata de desconsiderar as terapias terríveis que as almas pobres tiveram de suportar, mas de examinar mais de perto como o século XIX nos leva até onde estamos hoje e destacar aqueles poucos que realmente tentaram ajudar os doentes mentais.

10- Tratamento Moral


O período do Iluminismo mudou a forma como cientistas, filósofos e sociedade viam o mundo. A psiquiatria enfrentou esse novo olhar iluminado e o tratamento moral. Esse tratamento foi uma abordagem disciplinar moral para as pessoas com doença mental, em vez de usar cadeias e abusos.

De acordo com Dr. James W Trent do Gordon College, antes do tratamento moral, as pessoas com condições psiquiátricas eram referidas como insanas e tratadas de forma desumana. Philippe Pinel, da França, no Hospital Bicetre, em Paris, defendeu o tratamento moral dos doentes mentais. Em lugar do abuso físico, Pinel pediu bondade e paciência, que incluía recreação, caminhadas e conversas agradáveis. Pinel fez essa mudança de leitura, observação e reflexão; ao invés de um resultado de acidente ou experiência.

O tratamento moral começou a espalhar-se pelo mundo. Nos Estados Unidos, Benjamin Rush, um médico da Filadélfia, começou a praticar o tratamento moral. Rush viu uma das causas da doença mental como a azáfama da vida moderna, de modo que tentar levar os infligidos para longe dessas tensões poderia ajudar a restaurar as suas mentes.

Rush empregou alguns dos métodos de tratamento moral; por outro lado, também inventou a cadeira tranquilizante. Pinel tinha grandes esperanças para o seu novo tipo de terapia, mas ainda havia aqueles que usavam técnicas tortuosas para conter aqueles que consideravam loucos.

9- Asilos em Expansão


Todos temos uma imagem terrível de manicómios insanos e muitas vezes ouvimos histórias de fantasmas em torno desses edifícios. Muitas vezes atendidos pelas suas famílias ou alojados em asilos ou cadeias, o número de pessoas enviadas para asilos começou a aumentar drasticamente no século XIX.

Durante o início do século, as cidades tornaram-se mais povoadas e a doença mental passou de ser um castigo espiritual de Deus para uma questão social. As comunidades responderam construindo cada vez mais instituições, criadas para lidar com o crescente número de pessoas. Por exemplo, em Inglaterra, o número de pacientes "subiu de 10.000 em 1800 para 10 vezes mais em 1900".

Os historiadores concordaram em 3 corpos de pensamento principais para tentar e responder porque os números catapultaram em apenas 1 século. O primeiro devia-se à modernização e ao aumento do stress que isso causou. O segundo porque a população tornava-se cada vez mais intolerante ao comportamento disruptivo. O terceiro era o crescente poder dado aos médicos e alienistas. Ao olharmos para trás, entendemos que foi uma junção dos 3.

Com o número crescente de asilos, histórias de tortura e abuso começaram a conhecer-se, devido às estruturas sinistas colocadas no exterior das cidades e vilas. Os médicos estabeleceram uma série de classificações, dadas para tentar e fazer com que os asilos pudessem "curar" aqueles com condições psiquiátricas. Por exemplo, os homens tinham de ser separados das mulheres, os curáveis ​​dos incuráveis, etc. 

8- Aumento na Pesquisa


Ir para a universidade para estudar um assunto específico, é muito comum nos dias de hoje. No século XIX, o aumento de asilos e novos tratamentos criou um aumento naqueles que desejavam pesquisar a psiquiatria e responder à pergunta assustadora de porque razão algumas pessoas ficavam "loucas".

Por exemplo, o médico de Oxford, Thomas Willis, que cunhou o termo neurologia, esforçou-se para identificar as funções mentais que coordenam determinadas partes do cérebro. Willis modelou a ideia de que o sistema nervoso central e periférico dependia das operações dos espíritos animais ou intermediários químicos entre a mente e o corpo.

Outro médico dessa época, Archibald Pitcairn, que ensinava em Leiden, na Holanda, tratava doentes mentais e argumentava que sofriam de "ideias falsas induzidas pelas atividades caóticas desses espíritos animais voláteis; que, por sua vez, produziam movimentos confusos e descontrolados nos membros".

Hoje, sabemos que o cérebro não contém espíritos animais e não causam as doenças mentais; pelo contrário, são desequilíbrios químicos no cérebro. Durante o tempo em que os raios X estavam a ser descobertos e a única forma de estudar o cérebro era puxá-lo para fora do crânio de uma pessoa, esses médicos estabeleceram as bases para a neurologia moderna e os tratamentos atuais.

7- Distúrbios Nervosos


Hoje, quando alguém sofre de uma desordem nervosa, refere-se à hipertensão arterial, problemas cardíacos, dificuldade respiratória, etc. No século XIX, os distúrbios nervosos referiam-se a nervos partidos, colapsos nervosos ou exaustão nervosa. Os sintomas não incluíam problemas cardíacos ou problemas respiratórios; mas uma sensação de vazio, desesperança, pensamentos obsessivos, lentidão e indiferença em geral.

A ideia dos distúrbios nervosos serem uma "doença funcional" que só afetava as pessoas "superiores" veio das ênfases científicas que correram desenfreadas durante esse tempo.

Em ambos os lados do Atlântico, os homens vitorianos sofriam de hipocondria e as mulheres vitorianas caíam na histeria. As clínicas privadas para tratar essa doença surgiram, onde os ricos poderiam recuperar dos seus colapsos nervosos. 

6- Monomania


O século XIX estava repleto de cientistas que procuravam encontrar razões e respostas para explicar porque razão os doentes mentais ficavam assim. Os médicos geralmente acreditavam que a insanidade era um defeito da razão e a incapacidade da pessoa de compreender racionalmente a realidade.

Com o aumento da pesquisa e estudo dos doentes mentais, Jean Etienne Esquirol apresentou outra hipótese para tentar responder a isso: Monomania. Tratava-se de um delírio parcial, em que o paciente sofria de uma falsa perceção, que perseguia com raciocínios lógicos. Essas falsas perceções poderiam ser ilusões, alucinações ou falsas convições. A Monomania não era a ausência da razão, mas a presença de uma ideia falsa.

Por exemplo, os doentes mentais poderiamm sofrer de ilusões e alucinações e era isso que convencia os pacientes de uma realidade incorreta, para a qual atuavam logicamente.

Esquirol desenvolveu o diagnóstico da Monomania para explicar os distúrbios da paranóia; tais como, cleptomania, ninfomania e piromania. A Monomania forneceu a fundação necessária para os cientistas e os médicos descobrirem conceitos como obsessão e psicopatia.

5- As Regras de M'Naghten


A 20 de janeiro de 1843, um artesão escocês, Daniel M'Naghten, acreditava que os conservadores tinham a intenção de assassiná-lo devido ao seu envolvimento no movimento dos primeiros trabalhadores da Grã-Bretanha. Em resposta, M'Naghten tentou matar o primeiro-ministro, Robert Peel. No entanto, confundiu-o com o secretário de Peel, Edward Drummond, atirando nele e matando-o.

Durante o julgamento, M'Naghten declarou-se inocente devido a "insanidade moral" sob a forma de Monomania. Essa tática funcionou e M'Naghten não foi considerado culpado devido a insanidade.

Indignada, a rainha Victoria e o público pediram que o caso fosse revisto. Como resultado, muitas questões foram colocadas a todos os juízes sobre o caso e o veredito. As respostas tornaram-se conhecidas como as Regras de M'Naghten e servem como base para "determinar a insanidade legal em muitas partes de Inglaterra e dos Estados Unidos até aos dias de hoje".

4- O Ópalo, o Jornal Literário dos Lunáticos


O movimento de tratamento moral iniciado por Pinel, em Paris, deu origem à oportunidade para os pacientes de um asilo de Nova Iorque, para criar o seu próprio jornal literário, O Ópalo.

A primeira edição, em 1850, foi dada apenas aos membros do asilo; no entanto, os seguintes números foram vendidos numa feira do asilo, pelo que, em 1851, a revista estava a ser publicada no Jornal Americano da Insanidade, o fórum profissional desses tempos. No final do primeiro ano, o jornal tinha mais de 900 assinantes e estava em circulação com 330 periódicos e todos os lucros iam para a biblioteca do asilo.

O tratamento moral exigia bondade, paciência e recreação. A criação do jornal demonstrou um elemento essencial para esse tratamento: prevenir a doença e a tristeza. Juntamente com feiras, shows de teatro, sociedades de debate e palestras, o jornal despertou a mente dos insanos para longe dos pensamentos perturbadores.

A revista era um escape importante para os pacientes e forneceu-lhes uma plataforma para mostrar as suas próprias vozes. No entanto, o jornal só durou até 1860.

3- Asilos Insanos da Índia


Historicamente, a Grã-Bretanha colonizou numerosos países ao redor do mundo; sendo a Índia um deles, durante o século XIX. Quando o número de doentes mentais cresceu na Europa e nos Estados Unidos, o mesmo aconteceu com a Índia.

Quando os asilos começaram a crescer, a Coroa Britânica iniciou os mesmos estilos de tratamento para os asilos indianos. Mesmo assim, os colonos e as autoridades britânicas locais consideravam-se superiores aos locais e não estavam dispostos a compartilhar as instalações com eles. Deixando o preconceito e a intolerância tomar posse, os médicos separaram os locais dos britânicos. As pessoas consideradas "insanas" na Índia eram enviadas a instituições públicas decrépitas.

O superintendente e cirurgião RF Hutchinson, enviou um relatório ao Inspetor-Geral, a explicar a necessidade de mais espaço e melhores condições sanitárias num desses asilos. Explicou que a população já estava superlotada em 138 e o número aumentou para 151 sem prédios maiores para acomodar a crescente população. Hutchinson também afirmou que, devido à drenagem que enviava tudo para a terra baixa, onde os índios residiam, partes dos edifícios eram inutilizáveis ​​e impróprias para ocupação.

No seu relatório, Hutchinson explicou de forma bastante contundente que "esse mal não pode, naturalmente, ser corrigido sem elevar ou remover o asilo corporalmente para um local mais elevado." Hutchinson era um homem que lutava para cuidar da sua crescente população de doentes mentais e fez o que podia para tentar tornar as suas vidas melhores.

2- Frenologia


Muitos de nós já vimos imagens com palavras escritas por toda a cabeça humana. No entanto, nenhum de nós vai usá-las para definir como um perfeito estranho agirá. No século XIX , esse era um estudo popular conhecido como Frenologia.

Era o estudo das relações entre o caráter e a forma do crânio. O médico austríaco, Franz Joseph Gall, um fundador da neurologia moderna, manteve a crença de que a forma do crânio influencia o comportamento. Gall estudou matemáticos, escultores e similares, procurando por pontos comuns entre as formas de todos os seus crânios.

No entanto, Gall enfrentou 2 problemas significativos com a sua teoria. Primeiro, baseou as suas reivindicações numa única casualidade. Depois, apenas procurou casos que se conformavam à sua hipótese e simplesmente ignorou aqueles que o contradiziam.

Gall estava muito longe de perceber a frenologia e como o cérebro realmente funciona, mas lançou as bases para os futuros neurologistas entenderem melhor o órgão.

1- Dorothea Dix


O século XIX teve manicómios insanos, aumento da pesquisa, tratamentos avançados e novos estudos de pensamento. Enquanto alguns eram fornecidos e bons para pessoas com necessidade; muitos proporcionaram mais dor aos doentes mentais, do que conforto.

Uma senhora incrível, Dorothea Dix, viu o sofrimento das pessoas em asilos, casas pobres e cadeias, e decidiu expor as crueldades do seu confinamento. Levando a sua luta para Boston, Dix encontrou aliados poderosos, incluindo o Rev. William Ellrey Channing, o líder do Unitarianismo que lutava pelas reformas sociais.

Em 1841, Dix viajou para Massachusetts, examinando as condições em que as pessoas com doença mental tinham que viver e encontrou-os em "gaiolas, armários e caves. Acorrentados, nus, espancados com varas e amarrados em sinal de obediência."

Em janeiro de 1843, Dix levou a sua petição ao estado e procurou aumentar o financiamento para esses estabelecimentos. No entanto, era a única voz que procurava simpatia e ajuda para essas pessoas. Mas não desistiu e, eventualmente, o estado aprovou uma lei para expandir o asilo estadual em Worcester.

Dix não parou por aí. Passou a procurar um melhor tratamento para os doentes mentais em muitos estados. Numa época em que as pessoas consideradas "insanas" ou "loucas" eram tratadas pior do que os animais, Dorothea Dix foi a sua voz e lutou por elas. 

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